Cuidado com o Rafeiro! Não é que morda, mas podes pisá-lo sem querer...

segunda-feira, 19 de março de 2018

Eu perdoo-te, seu monte de esterco fétido!

Quero apenas dizer à pessoa que ontem trocou "acidentalmente" os nossos chapéus- de-chuva que não lhe guardo qualquer rancor.

Bem vistas as coisas, a confusão é totalmente compreensível, pois o meu chapéu azul de dezasseis varetas é praticamente igual ao chapéu preto de sete varetas e meia que me foi deixado.

Mas sabes de uma coisa? Ficaste a perder. O meu actual chapéu é uma fonte de risota e diversão! Haverá melhor forma de meter conversa nos transportes públicos do que ter um chapéu que se abre sozinho, quando menos se espera? As gargalhadas que já tenho dado, juntamente com os outros utentes a quem quase furei um olho! E a cascata privativa que tenho dentro do chapéu sempre que chove? Estou a pensar em instalar um aquário, pois é sabido que os peixes gostam de água em permanente renovação.

E para que não fiquem dúvidas sobre o meu não ressentimento, até desejo que tenhas electricidade grátis! Seguramente que a ponta em metal do teu novo chapéu será capaz de a atrair, ao contrário da madeira lascada que encima o meu!
 
Até sempre,
Rafeiro Perfumado

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Fujam que vem lá o sicrano ou o beltrano!

Portugal aderiu à moda de dar nomes próprios às tempestades. Primeiro foi a Ana, agora vem aí o Bruno.

Deixa-me que te diga que isto é estúpido até mais não. Mas tu acreditas realmente que o pessoal vai respeitar tempestades destas?

Comecemos pela Ana. Em primeiro lugar é um nome fofinho, quem é que acredita que uma tipa assim é capaz de arrancar telhados, derrubar árvores ou fazer voar perucas? Só se estivesse em plena crise de TPM (Tempestade Particularmente Monstruosa)! Em segundo lugar, qual é o macho que se preze que acata ordens para se abrigar de uma Ana, ainda mais se disserem que vai trazer bastante humidade e agitação? Vão é encher-se de perfume e esperá-la com um ramo de flores na mão, pá!

Já no que toca ao Bruno, também não percebo. Primeiro, porquê Bruno e não Belmiro, Benjamim ou mesmo Bernardo? Isto tem a ver com os nomes dos animais de estimação do meteorologista? Depois, quando disserem que vem lá um Bruno poderoso e cheio de energia, capaz de meter a cabeça à roda, já estou mesmo a ver as taradas cá do sítio a irem para as barras marítimas, a ver se lhes calha alguma coisa, nem que seja uma palmeira pela cabeçona adentro.

Querem que o pessoal tenha receio das tempestades e acate as ordens de evacuação ou protecção? É darem às tempestades nomes de impostos ou doenças venéreas! Quero ver quem é que não corre para casa e se esconde debaixo da cama ao ouvir anúncios como estes:
- A tempestade IRS aproxima-se de Portugal Continental. Aconselha-se a guardarem todos os bens em lugar seguro se não quiserem ficar depenados!
- O furação gonorreia irá atingir Portugal às 20:17. Aconselha-se a população a usar protecção se não quiser ir parar ao hospital!

É assim tão difícil?!?
 
Até sempre,
Rafeiro Perfumado

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Natal novo, amizade nova!

(por motivos narrativos e por que me apetece, este texto foi escrito na terceira pessoa)

Natal. Ah, essa época maravilhosa, em que as pessoas parecem felizes e o mundo um bom lugar para se viver. Rafeiro gostava mesmo deste período do calendário, mesmo tendo em conta todo o seu conturbado historial com o Pai Natal.

É um facto que o velhote continuava sem lhe dar a televisão Híper LED que sempre suplicou, mas Rafeiro reconhecia que nem sempre tinha sido simpático para com ele. Talvez em determinadas ocasiões até tenha ido longe demais, como quando o acusou de maus tratos às renas ou besuntou as rédeas do trenó com super-cola. Já para não falar da vez que o denunciou à Inspecção do Trabalho, por usar espécies protegidas no fabrico das prendas. Ou mesmo quando forrou a chaminé com arame farpado…

Mas tudo isso iria ficar para trás. Afinal, Rafeiro sentia-se agora mais adulto, mais responsável, e seguramente o Pai Natal não iria deixar de notar isso.

Como tal, Rafeiro decidira esperar pacientemente pelo gordalhufo para lhe poder dar um abraço e dizer que tudo estava perdoado, que aquela época festiva marcasse não só o nascimento do Menino Jesus mas como também de uma nova amizade.

Estava Rafeiro com um sorriso nos lábios e envolto nestes pensamentos quando se apercebeu da entrada do Pai Natal. Antes que pudesse dizer algo, este grita:
Pai Natal - Olha o palhacito do Rafeiro! Então, pronto para receber mais um par de meias?
Rafeiro – PUM!

Talvez para o ano…

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

PS: Feliz Natal, rafeirosos!

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Porque me olhas assim?

Todos nós conhecemos um tipo estranho. O que quero dizer com isto é que, em cada círculo de amigos, há pelo menos um exemplar que não nos admiraremos quando um dia vier na capa do Correio da Manhã. Será nessa altura que nos entrevistarão e que diremos algo do género:
- Pois, o Etelvino realmente era um tipo reservado, mas nunca pensei que tivesse uma cave onde aprisionasse pessoas para lhes arrancar as unhacas do pé direito. Um destes dias reparei num colar estranho que ele estava a usar, mas quem sou eu para discutir modas?

Pessoalmente tenho dois ou três conhecidos que enquadro nesta categoria de psicopatas em potência. Claro que nunca lhes confessarei tal coisa, mas qualquer programa que faça com eles desencadeia de imediato um protocolo de segurança, de forma a evitar um destino em que me veja privado da vida ou, pior, de partes anatómicas. Gostaria muito de te fornecer detalhes deste plano, mas nada me garante que tais amigos não leiam isto, pelo que não convém revelar o que me faz sobreviver a cada encontro.

E porque não terminas com essas amizades, perguntas tu com enfado. Porque, tal como referi no início, são psicopatas em potência, não quero ser eu a acender o rastilho que materializará tais impulsos. Por outro lado, não tenho a certeza que tenham mesmo essa tendência, podem apenas ter hábitos mais estranhos ou personalidades mais bizarras, quem sou eu para os julgar? Por outro lado, ao mantê-los por perto, posso sempre, de forma subtil, conduzir as suas psico-tendências para outros alvos que não eu.
 
Assim, se um dia eu te disser algo do género “Tens visto a Maria? Bem, fez uma tal dieta que agora cabe perfeitamente na nova arca-frigorífica da Bosch”, sim, possivelmente desconfio de ti.
 
Até sempre (espero),
Rafeiro Perfumado

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Cenas que me causam rugas em partes aleatórias do corpo

Está actualmente em exibição o novo filme do homem-aranha. Considerações cinematográficas à parte, ao visualizar o trailer tive uma espécie de flash, sinal de que alguma coisa não computou no meu cérebro.

Vamos por partes:
- O homem-aranha deve os seus poderes a uma picadela de uma aranha radioactiva, certo? Certo.
- Esta picada fez com que o seu corpo sofresse mutações, passando a ter várias das capacidades e características das aranhas, certo? Certo.
- Uma dessas características é a capacidade de produzir teias, certo? Certo.

Então porque raio as teias lhe saem pelos pulsos e não pelo mesmo sítio das aranhas? Bem sei que cinematograficamente não seria tão apelativo ver o homem-aranha a expelir teias pelo cu, mas seria bem mais verosímil! Claro que depois alguns criminosos mais sensíveis poderiam queixar-se das teias terem um cheiro estranho e não serem brancas, mas quem é que liga às queixas da ralé da sociedade?

Espero que se juntem a mim nesta cruzada para tornar o homem-aranha mais realista, a minha carta indignada já seguiu para os estúdios!
 
Até sempre,
Rafeiro Perfumado

quarta-feira, 31 de maio de 2017

E narizes, não fazem?

Confessa lá, costumas ou não utilizar a expressão “fazer ouvidos de mercador”? Nem precisas de responder, esse enrubescer repentino já o fez por ti!

Esta é uma expressão bastante antiga, com mais de 17 anos, sendo que há pouco tempo captou a minha atenção.

É proferida quando se quer insinuar que alguém está a evacuar no que lhe dizem, não ligando pevide e fazendo-se de surdo ou desentendido. Ora tudo isto é muito bonito, se não fosse parvo. Comecemos pelo princípio: que raio é um mercador? Um comerciante? Um grossista? Um frequentador de mercados? Talvez seja tempo de actualizar esta expressão e substitui-la por uma profissão mais recente. Mas, se quiserem dar mesmo a ideia de alguém que se marimba no que lhe dizem, que tal substituir “mercador” por “ditador”, “adolescente” ou “morto”? Garanto que traduziria muito melhor a intenção.

Ainda mais porque tenho os comerciantes em conta de malta com os sentidos bem apurados. Nunca ouviram dizer que alguém tem olho para o negócio? Quem nos diz que não tem também ouvido? De que outra forma poderia ouvir a clientela e ajustar a sua oferta aos seus pedidos?

A não ser que esta expressão tenha surgido devido a um acidente. Imaginem um mercador que, por um motivo qualquer, tenha ficado sem uma orelha. Pode perfeitamente ter recebido um conselho “olha, vai ao Dr. Etelvino, consta que faz uns ouvidos de mercador à medida”.
 
Até sempre,
Rafeiro Perfumado

sábado, 4 de março de 2017

Até sempre, Teté

Partiu a amiga, ficam as lembranças de uma linda amizade.

Nunca te esquecerei, Teté.

Um beijinho,
Jorge

PS: o Rafeiro manda-te um Rauf

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

And the Oscar goes to...


Infelizmente quando estava a fazer o discurso de agradecimento fui interrompido pela organização, com a informação que afinal o vencedor era a Lassie. Grandessíssima cadela...

Até sempre,
Rafeiro Perfumado


PS: desenho feito pelo enorme Carlos Rocha. Muito obrigado e um grande abraço, amigo!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Protege-te, elefante cor de rosa!

Pronto, tira lá esse ar incrédulo, vou finalmente escrever sobre esse acontecimento traumático que atingiu Portugal recentemente e que se destacou como um dos eventos que marcaram 2016: o encerramento do Elefante Branco.
Para as sete pessoas que não conhecem este estabelecimento, posso dizer-vos que era uma instituição histórica, onde imperava o relacionamento humano e a troca de experiências, muitas vezes com uma elevada componente internacional, num contexto de fluxo monetário unidireccional. Isso, uma casa de prostitutas.

Com o encerramento deste estabelecimento, abre-se um buraco na noite lisboeta, um entre muitos que ficam sem preenchimento à vista.

Tratando-se de um estabelecimento histórico e que seguramente tinha o seu papel na economia e tradição, não se percebe o silêncio e inacção do Governo. Por que raio não foram tomadas medidas para dinamizar o negócio, quando se percebeu que algo ia mal? Se existe o cheque-dentista para fomentar a higiene dentária dos portugueses, porque não criar o cheque-queca, para permitir aos machos lusos o desanuviar hormonal e assim prevenir a violência doméstica? Até se podia criar uma rubrica no IRS onde se pudesse descontar as despesas neste estabelecimento, tudo em nome de defender uma instituição secular!

A própria religião ficou a perder, pois desde que o Elefante Branco fechou, a quantidade de “ai meu Deus” que deixou de ser proferida é impressionante! E nem me vou referir à questão ecológica, pois é sabido que o elefante é um animal em vias de extinção. Os albinos, então, contam-se pelos dedos de um pé!

De um ponto de vista meramente teórico e retórico, fica aqui lavrada a minha indignação!
 
Até sempre,
Rafeiro Perfumado